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Koala getting first class service in flight! (Source: http://imgur.com/oAQroBi.jpg)



Como cresceste, Menina.

A juventude é algo compreensivo, louco e impulsivo. O medo de se perder em solidão é desacerbado, entregar-se é a solução viável. Se entregar ao amor, à bebiba, ao sexo, às drogas. Se entregar! O tempo passa rápido demais, e você acaba se pengando no pensamento de que nada parece tão bonito quanto o passado. Perdemos os pés descalços no asfalto, as visitas ao zoológico, os desenhos animados de manhã antes de ir para o colégio, enterrar o pai naquela areia úmida que beira o mar, os pirulitos que estalam na boca.

Tuas bonecas são esmaltes vermelhos, Menina. Tua fronha rosa com estrelas azuis e amarelas, tomada por um cinza solitário. Para onde foram teus cachos teimosos e castanhos? Agora tão loiros, tão mortos e alisados. Estas crescendo, Menina, mais rápido do que a chama da morte de uma Fenix que renasce das cinzas. Contumava vestir teu pranto meigo por um docinho. Este já não é mais tão meigo. É sincero e desesperado suplicando apenas por amor, tudo o que lhe importa, tudo o que lhe falta, mas nunca teves tempo para amar a si mesma. Inexistente, frágil, instável. O tempo, ou a angustiante ausência dele, lhe colocou na rotina. Acomoda e reprime até os mais enfermos. Ele conseguiu lhe pôr na mesmice de um escravo dos ponteiros. Procura-se sempre a praticidade áspera, o prazeroso liso e perfumado do viver pouco importa agora, foram tantos segundos desperdiçados naquele tempo da voz robótiva na frente do ventilador que agora é o momento de correr atrás do tempo perdido, Menina. Há uma solução lógica pra uma situação hipotética de tristeza na qual sobrevives: Não sonhe, não pense, não ame, não sinta, Pequena. Só assim nada mais será culpa de sua alma. 

Tuas mãos serão esculpidas de ganância. Só o poder importa agora. Vamos aflorar este teu lado frio, Menina. Afinal, de que importa o sorriso, a ternura, de que importam estas pupilas dilatadas? Se perde a vontade de dormir de baixo das cobertas em meio a uma chuva, ouvir o milho de pipoca estourar na panela, ver o formato das nuvens, desenhar com as estrelas, respirar fundo pro mar. As coisas inicialmente simples são tão complexas e irracionais agora, são só lembranças, e fazem os olhos de nosso subconsciente sucumbirem à um terno manto d’água, que cala fundo. Tempo, ele existe, mas não é reverenciado como um motivo pra viver a vida mais que exacerbadamente, o medo ainda faz morada em todos aqueles humanos demais.
Crescemos. Nos confundimos. Nos perdemos. Morremos antes do previsto. Quem sabe agora lembres de viver sem dia e hora marcada..

Menina.